Conferências Democráticas do Casino Lisbonense

O que foram as Conferências do Casino?

As Conferências do Casino, foram uma série de cinco palestras levadas a público na Primavera de 1871, em Lisboa. Estas palestras foram impulsionadas por iniciativa do chamado grupo do Cenáculo constituído por escritores e intelectuais jovens e de vanguarda, acabados de se formarem em Coimbra, que visavam abrir um debate sobre o que de mais moderno, a nível de pensamento, se vinha fazendo lá fora.

De Café Concerto a Edifício Garrett

Em 26 de Dezembro de 1857, foi inaugurado no Largo da Abegoaria. nº 10, o Café Concerto. Entre 1869 e 1870, o Café Concerto foi reconhecido pelos grandes espectáculos de can-can. Posteriormente passou a chamar-se Casino Lisbonense, onde se realizavam as Conferências Democráticas do Casino. O Casino Lisbonense encerrou em 1876, passando a estabelecimento de estofador e mais tarde o actual Edifício Garrett.

O Manifesto

A 18 de Maio de 1857 aparecem no jornal "A Revolução de Setembro", as assinaturas de Adolfo Coelho, Antero de Quental, Augusto Soromenho, Augusto Fuschini, Eça de Queirós, Germano Vieira Meireles, Guilherme de Azevedo, Jaime Batalha Reis, Oliveira Martins, Manuel Arriaga, Salomão Saragga e Teófilo Braga. Estas personalidades assinaram um manifesto que apontava as intenções de reflectir sobre as mudanças políticas e sociais que o mundo sofria, de analisar a sociedade daquele tempo e de estudar todas as novas correntes do século.

1ª Conferência: "O Espírito das Conferências"

A 22 de Maio de 1871 realizou-se a primeira conferência proferida por Antero de Quental. De acordo com os relatos dos jornais da época, esta palestra consistiu num desenvolvimento do programa que tinha sido previamente apresentado.Antero começou por se referir à ignorância e indiferença que caracterizava a sociedade portuguesa, falando da repulsa do povo português pelas ideias novas e na missão de que eram incumbidos os "grandes espíritos" e que consistia na preparação das consciências e inteligências para o progresso das sociedades e resultados da ciência.

2ª Conferência: "Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos últimos três séculos"

Esta Conferência foi também proferida por Antero de Quental. Na introdução Antero pressupõe três atitudes ou pontos de partida. Em primeiro lugar "O Peninsular", falar da Península como um todo; em seguida uma aceitação – os Povos obedecem a um estatuto anímico colectivo, estrutural – é a crença no génio de um Povo; e, por fim, uma atitude judicatória – Antero julga a História, como uma entidade, o juízo moral, social e político. Em seguida enumera e discute as causas da decadência.

3ª Conferência: "A Literatura Portuguesa"

Conferência proferida por Augusto Soromenho, professor do Curso Superior de Letras. Nesta palestra faz uma crítica aos valores da literatura nacional, concluindo que ela não tem revelado originalidade. Há uma negação sistemática dos valores literários nacionais, exceptuando escritores como Luís de Camões, Gil Vicente e poucos mais, atacando os poetas, dramaturgos, romancistas e jornalistas da época.Transmite uma visão decadentista, ao negar originalidade e peculiaridade à literatura nacional.

4ª Conferência: "A Literatura Nova ou o Realismo como Nova Expressão de Arte"

Conferência dada por Eça de Queirós e que encontra a sua inspiração em Proudhon (filósofo francês). Eça salientou a necessidade de operar uma revolução na literatura, semelhante àquela que estava a ter lugar na política, na ciência e na vida social. Eça de Queirós afirma que o Realismo deve ser perfeitamente do seu tempo, tomar a sua matéria na vida contemporânea; que o Realismo deve proceder pela experiência, pela fisiologia, ciência dos temperamentos e dos caracteres; e que o Realismo deve ter o ideal moderno que rege a sociedade.

5ª Conferência: "A Questão do Ensino"

Palestra proferida por Adolfo Coelho que se inicia com uma posição de ataque às coisas portuguesas. Traça o quadro desolador do ensino em Portugal, mesmo o superior, através da História.A solução proposta passa pela separação completa da Igreja e do Estado e por uma mais ampla liberdade de consciência, solução que, no entanto, era restrita a uma zona da vida nacional.

6ª Conferência: "História Crítica de Jesus"

A 26 de Junho de 1871, quando Salomão Saraggase preparava para realizar a sua Conferência "História Crítica de Jesus", o Governo, por portaria, mandou encerrar a sala do Casino Lisbonense e proibir as Conferências. No mesmo dia Antero redige um protesto no café Central, hoje Livraria Sá da Costa.

~ por goncasrato em 03/07/2010.

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