As Fragilidades dos Sistemas Agrários

Superfície Agrícola Utilizada (SAU) – É constituída pelas terras aráveis, onde se incluem as culturas temporárias e o pousio, as hortas familiares, as culturas permanentes e os pastos permanentes.

Dois aspectos fundamentais na composição da SAU em Portugal:

  • O Alentejo ocupa a maior extensão;
  • O Algarve e as Regiões Autónomas ocupam as menores percentagens.

Forma de exploração da SAU

  • Em Trás-os-Montes e na Madeira a forma de exploração que assume maior expressão é a de conta própria.
  • Nos Açores quase metade da SAU é explorada sob forma de arrendamento, seguindo-se o Alentejo.

Maior importância das:

  • Culturas temporárias – no Alentejo, no Ribatejo e Oeste, Entre Douro e Minho e na Beira Interior;
  • Culturas permanentes – em Trás-os-Montes e no Alentejo;
  • Prados e pastagens permanentes – no Alentejo, na Beira Interior, em Trás-os-Montes e nos Açores.

A dimensão das explorações:

  • 23% das explorações agrícolas têm menos de 1 hectare de SAU;
  • 75% apresentam menos de 5 hectares;
  • 23% das explorações com dimensões inferiores a 1 hectare representam apenas 1% da SAU;
  • As explorações com 100 ou mais hectares ocupam apenas 2% do total das explorações, representam mais de 50% da SAU.

Explorações agrícolas:

  • Situam-se maioritariamente em Trás-os-Montes (19%), Beira Litoral (18%) e Entre o Douro e o Minho (16%);
  • No Alentejo apesar de só localizarem-se 9% das explorações, cobrem quase 50% da SAU.

Características das Regiões Agrárias:

  • As explorações agrícolas que se localizam no norte, apresentam características de minifúndios;
  • As explorações agrícolas que se localizam no sul são caracterizadas por explorações de latifúndios (grandes dimensões);
  • Na Região Autónoma da Madeira a “pulverização” do solo é muito elevada.

A dimensão económica das explorações:

  • As explorações de média e grande dimensão geram, no continente, mais de 60% da MB agrícola, as regiões que assumem maior importância são o Ribatejo e Oeste, o Alentejo e os Açores. As regiões que assumem menor importância são Trás-os-Montes e a Madeira;
  • As explorações muito pequenas representam 76% e geram apenas 16% da Margem Bruta agrícola.

Dependências dos factores físicos e humanos:

Físicos:

  • Clima;
  • Solo;
  • Relevo.

Humanos:

  • Densidade populacional;
  • Aspectos históricos;
  • Objectivo da produção;
  • Estrutura fundiária;
  • Sistema de cultura.

Baixa produtividade:

  • Deficiência a nível técnico;
  • Predomínio de técnicas de cultivo tradicionais;
  • Resultado da insuficiência mecanizada.

Baixa produtividade da mão-de-obra:

  • Envelhecida;
  • Baixo nível de instrução e de qualificação profissional;
  • Agregados domésticos;
  • Actividade a tempo parcial/pluriactividade.

Baixos rendimentos agrícolas resultado de:

  • Reduzida dimensão das explorações agrícolas;
  • Deficiente definição das superfícies agrícolas;
  • Uso desajustado das culturas ao tipo de solo;
  • Falta de selecção de sementes;
  • Uso da monocultura;
  • Uso do pousio;
  • Reduzido uso de adubos e pesticidas;
  • Domínio das culturas de sequeiro;
  • Inadequada utilização do solo agrícola;
  • Utilização de sistemas de cultura de forma incorrecta (monocultura; pousio absoluto);
  • Excessiva mecanização (provoca a erosão dos solos);
  • Utilização inadequada de fertilizantes e adubos;
  • Ocupação do solo não adequada às espécies aconselhadas.

Dificuldade de colocação dos produtos no mercado:

  • Grande diversidade da qualidade dos produtos
  • Deficiente rede de comercialização
  • Falta de capacidade de absorção dos produtos por parte das indústrias alimentares

Produtividade – Quantidade de produção obtida per capita por pessoa.

P = produção / horas de trabalho

Rendimento – Quantidade de produto obtido por unidade de superfície (hectare).

R= Produção / Superfície cultivada

Principais produções vegetais, animais e florestais das regiões agrárias:

Norte (Noroeste) – Poli cultura do milho, do feijão, da abóbora, das hortícolas, da batata etc; produção de leite; Produção do vinho verde e plantação de árvores de fruto.

Norte (Interior) – Criação do gado ovino e caprino; centeio, trigo, batata, árvores de fruto; Vinho do Porto.

Centro – Arroz, criação de gado leiteiro, árvores de fruto, pinheiro bravo e eucalipto.

Alentejo – Trigo, oliveira, vinha, sobreiro, azinheira, criação de gado ovino.

Algarve – Cereais de sequeiro, figueira, amendoeira, alfarrobeira, produção da laranja e de outros frutos.

Madeira – Bananeira, cana-de-açúcar, vinha, citrinos, milho, trigo, centeio.

Açores – Vinho, batata, milho, batata-doce, criação de gado bovino, produção de leite.

Estrutura etária da população agrícola

A população agrícola em Portugal é muito envelhecida, a média de idades em 2005 era de 50 anos. O número de indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos era de 31%.

O Algarve apresentava a população agrícola familiar mais envelhecida e os Açores a mais jovem.

Nível de instrução da população agrícola

O nível de instrução da população agrícola familiar é muito baixo. Os indivíduos sem qualquer nível de instrução representam cerca de 28% do total da população agrícola. 39% têm o 1º ciclo de escolaridade e apenas 21% da população agrícola em Portugal possuí mais que o 2º Ciclo do Ensino Básico. Os Açores e o Alentejo registam os maiores níveis de escolaridade, a Madeira regista a mais baixa taxa de frequência escolar, com 25% da população agrícola familiar sem saber ler nem escrever.

 

Regiões agrárias

Morfologia

Sistema de culturas

Povoamento

Principais culturas

Criação de gado

Silvicultura

Entre Douro e

Minho

Minifúndio Irregular

Vedados por sebes vivas e muros de pedra

Poli cultura

Agricultura intensiva

Disperso

Milho

Vinha

Culturas hortícolas

Bovino

(regime extensivo)

Pinheiro bravo

Carvalho

Eucalipto

Trás-os-Montes

Pequena e média dimensão

Vedados

Irregular

Agric. de sequeiro Monocultura Agric. extensiva

afolhamento bienal e pousio

agric. intensiva junto às aldeias

Concentrado

Centeio

Trigo

Batata

Vinha

Azeite

Frutos secos

Ovino

Castanheiro

Pinheiro bravo

Beira

Litoral

Minifúndio Irregular

Vedados por sebes vivas e muros de pedra

Poli cultura

Agricultura intensiva

Misto

Milho

Vinha

Arroz

Batata

Horticultura

Suíno

Avicultura

Pinheiro bravo

Eucalipto

Carvalho

Beira

Interior

Pequena e média dimensão

Sem vedações

Regular

Monocultura

Agricultura intensiva e extensiva

Associação de árvores com culturas

Misto e disperso ordenado

Centeio

Tabaco

Azeite

Frutos secos

Cereja

Ovino

Caprino

Pinheiro

Azinheira

Castanheiro

Ribatejo e

Oeste

Média e grande dimensão

Sem vedações

Regular

Monocultura intensiva

Misto

Milho

Arroz

Vinho

Horticultura

Floricultura

Suíno

Eucalipto

Pinheiro

Alentejo

Média e grande dimensão (latifúndio)

Sem vedações

Regular

Monocultura

Agric. Extensiva com pousio

Concentrado

Trigo

Arroz

Azeite

Tomate

Citrinos

Girassol

Ovino

Bovino e suíno em regime extensivo

Sobreiro

Azinheira

Oliveira

Algarve

Pequena e média dimensão

Sem vedações

Regular

Poli cultura

Irrigada

Agric. Extensiva de cereais na serra

Misto

Horticultura

Floricultura

Citrinos

Frutos secos

Suíno

Ovino

Sobreiro

Alfarrobeira

Amendoeira

Figueira

Açores

Pequena dimensão

Com vedações

Irregular

Poli cultura

Agric. Intensiva Monocultura (chá e tabaco)

Disperso

Ananás

Milho

Batata-doce

Chá, tabaco

Beterraba sacarina

Bovino

 

Madeira

Pequena dimensão

Sem vedações

Socalcos

Irregular

Poli cultura

Irrigada

Disperso

Bananas

Cana-de-açúcar

Vinha

Frutas tropicais

Floricultura

Suíno

 

Máquinas agrícolas

Em 2005, 43 em cada 100 explorações possuíam tractor. Na Beira Litoral e no Ribatejo e Oeste mais de 50% das explorações possuíam tractor, mas em Trás-os-Montes apenas 39% das explorações utilizavam este factor de produção.

Principais problemas da floresta portuguesa:

  • Cerca de 85% da floresta de Portugal é propriedade privada, 12% são baldios, e pertença de comunidades locais e apenas 3% pertence ao Estado Português;

~ por goncasrato em 02/27/2010.

Uma resposta to “As Fragilidades dos Sistemas Agrários”

  1. bom esforço …😉

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