O Século XIX

•05/13/2010 • Deixe um Comentário

A expansão da revolução industrial

A ligação ciência-técnica

o Os primeiros avanços da indústria fizeram-se com maquinismos simples, concebidos por artesãos ou pequenos empresários que se aplicaram no melhoramento dos seus instrumentos e técnicas de trabalho;

o Em meados do século XIX esta situação alterou-se, o progresso técnico transformou os maquinismos industriais em estruturas sólidas. Com a ajuda dos institutos e das universidades, formaram-se técnicos especializados com a necessária preparação científica;

o Para vencer a concorrência as grandes empresas começam a investir somas enormes em investigação;

Progressos cumulativos – Série crescente de progressos que resultam da estreita ligação entre a ciência e a técnica.

o A descoberta de novas formas de energia, os novos sectores produtivos, os novos meios de transporte e a multiplicidade de novos objectos, damos o nome de Segunda Revolução Industrial.

Novos inventos e novas formas de energia

A indústria siderúrgica e a indústria química

o A siderurgia transformou-se na indústria de ponta da Segunda Revolução Industrial. O progresso mais significativo deu-se em meados do século com a invenção de um conversor capaz de transformar o ferro e aço, de uma forma barata e rápida;

o A indústria química conheceu também grandes avanços com a invenção da violeta anilina e a alizarina, matérias corantes que revolucionaram a indústria tintureira. A indústria química também conheceu os insecticidas, os fertilizantes e os medicamentos.

Novas formas de energia

o Os progressos da industrialização fizeram-se à custa do carvão como força motriz. Em 1913, cerca de 90% da energia produzida na Europa dependia ainda deste combustível;

o Nas últimas décadas do século, desenvolveram-se as duas fontes de energia que marcariam o nosso tempo: o petróleo e a electricidade.

A aceleração dos transportes

o Os transportes foram um elemento essencial à industrialização. Tornou-se necessário movimentar de forma rápida e barata, volumes crescentes de matérias-primas e produtos acabados;

Comboio

Fez a sua aparição em 1830, em que o engenheiro inglês Geroge Stephenson inaugurou a linha Liverpool-Manchester. O êxito desta linha desencadeou uma autêntica febre de construções ferroviárias: em 1914, existiam em todo o Mundo cerca de 1 milhão de quilómetros de vias-férreas.

Navio a vapor

Os navios a vapor foram substituindo os antigos veleiros. A navegação a vapor movimentou capitais avultados, dando origem à constituição de grandes empresas capitalistas. Os progressos da navegação a vapor originaram grandes obras de engenharia, que se destacam a abertura dos canais do Suez e do Panamá.

Automóvel

Os êxitos da máquina a vapor foram tão grandes que os inventores tentaram aplicá-la ao transporte por estrada. Ao iniciar-se o século XX, as principais marcas de automóveis tinham já feito a sua primeira aparição, originando uma nova indústria.

Aviação

Passados dez anos de ensaios com balões e dirigíveis, Orville Wright conseguiu a proeza de voar com um motor a gasolina e hélice (1903). Em 1909, os irmãos Voison atravessaram o canal da Mancha num biplano.

Concentração industrial e bancária

A concentração industrial

Capitalismo industrial – Tipo de capitalismo que se desenvolveu na segunda metade do século XIX e que caracteriza por um investimento maciço na indústria.

o Com o advento da industrialização, a pequena oficina cedeu, progressivamente, dando lugar à grande fábrica;

o No decurso do século XIX, as fábricas mais prósperas transformara-se em grandes empresas com sucursais e ramificações variadas, envolvendo enormes capitais;

o A concentração industrial acelera-se na segunda metade do século e a evolução tecnológica reforça a supremacia da grande empresa, mais capaz de inovar e, de assim, resistir às crises.

Constituíram-se dois tipos de concentrações industriais: as verticais e as horizontais.

Concentração vertical — Consistiu na integração, numa mesma empresa de todas as fases da produção, desde a obtenção da matéria-prima à venda do produto;

Concentração horizontal — Consistiu numa associação de empresas com o objectivo de evitar a concorrência. Para o efeito, acordavam, por exemplo, as quantidades a produzir, os preços de venda ou as datas de colocação no mercado.

A concentração bancária

o Os bancos desempenharam um papel primordial no crescimento económico do século XIX;

o O sistema bancário integra-se na dinâmica do mundo industrial: na segunda metade do século regista-se um forte crescimento, acompanhado da diminuição do número de instituições;

o Os bancos participaram directamente no desenvolvimento industrial, injectando capitais próprios nas empresas, sobretudo nos sectores da siderurgia e dos transportes.

A racionalização do trabalho

Estandardização – Uniformização dos artigos produzidos através do fabrico em série, que possibilita a produção em massa.

Taylorismo

o F. W. Taylor publica a obra Princípios de Direcção Cientifica da Empresa, onde expõe o seu método para optimização do rendimento da fábrica;

o O taylorismo assentava na divisão máxima do trabalho, seleccionando-o em pequenas tarefas elementares e encadeadas. A cada operário caberia executar, repetidamente, apenas uma destas tarefas, que o trabalhador seguinte continuava. Isto dava origem a uma poupança de tempo e de objectos iguais (estandardizados).

Fordismo

o Em 1913, para a produção do seu Modelo T, Henry Ford introduziu na fábrica uma linha de montagem concebida segundo os princípios rígidos do taylorismo;

o Como forma de compensar a dureza do trabalho e incentivar os operários, Ford aumentou os salários. Ao elevar os ordenados, o nível de vida dos trabalhadores aumentou, permitindo-lhes comprar um automóvel… que a empresa disponibilizava em suaves prestações, recuperando, assim, parte do montante despendido nos salários.

A geografia da industrialização

A hegemonia inglesa

o A Inglaterra detinha, em meados do século XIX, um grande avanço sobre os restantes países: a sua indústria era fortemente mecanizada, permitia-lhe abastecer o mundo dos têxteis, artefactos metálicos e bens de equipamento a preço sem concorrência;

o Ao abrir o século XX, depois de quase 150 anos de supremacia económica, Inglaterra vê-se ser ultrapassada pelos EUA, sua antiga colónia.

A afirmação de novas potências

A França

  • Segunda potência a arrancar, a França manteve um ritmo industrializador contínuo, mas lento. Numa época em que a energia dependia do carvão, este país encontrava-se em desvantagem: as poucas jazidas que possuíam eram pobres e mal situadas. Entre os entraves conta-se também a larguíssima base agrícola do país;
  • Entre 1901 e 1913, verificou-se um período de grande dinamismo nos sectores da electricidade, do automóvel, do cinema e da construção;

A Alemanha

  • A principal característica do processo industrializador alemão foi o seu dinamismo. Os Alemães lançaram-se decididamente na grande indústria, privilegiando os sectores do carvão, do aço e dos caminhos-de-ferro. Mais tarde, arrancaram com os sectores da química, da construção naval e da electricidade;
  • No fim do século, os produtos siderúrgicos alemães movem uma forte concorrência aos produtos ingleses.

Os Estados Unidos da América

Indústria têxtil

  • Tal como em Inglaterra, foi o sector têxtil que alimentou as primeiras indústrias, sendo que prosperaram rapidamente devido à política económica proteccionista;

Indústria siderúrgica

  • O grande dinamizador do crescimento económico foi o sector siderúrgico em que a United States Steel Corporation se tornou líder da siderurgia mundial;

Outros sectores

  • Desenvolvem-se também outros sectores, nomeadamente os sectores energéticos mais modernos: a electricidade e o petróleo. Sendo que, pouco depois, é a vez da indústria automóvel, que ao mesmo tempo fazia expandir e prolongar o sector siderúrgico, utilizado para a sua fabricação.

O Japão

  • O impulso industrializador do Japão ficou a dever-se, sobretudo, ao Estado, que promoveu a entrada de capitais e técnicos estrangeiros e financiou a criação de novas indústrias, às quais concedeu exclusivos e outros privilégios;
  • Para o êxito do arranque japonês, alicerçado nos sectores da siderurgia, da construção naval e do têxtil da seda, contribuíram também o intenso crescimento demográfico.

A permanência de formas de economia tradicional

  • A História do século XIX foi dominada pela Revolução Industrial, no entanto a evolução não se processou num ritmo único, as formas económicas novas coexistiram durante muito tempo com as técnicas e os sistemas de produção antigos;
  • No mundo rural, mantinham-se vivas as velhas práticas e utensílios que frequentemente remontam à Idade Média. O camponês agarra-se aos direitos comunitários e reage violentamente contra inovações agrícolas;
  • Na indústria, as formas de economia tradicional tardam a desaparecer e o artesão mantém-se activo, sobretudo nos ofícios que requerem gosto, minúcia e criatividade.

A agudização das diferenças

A confiança nos mecanismos auto-reguladores do mercado: o livre-cambismo

Livre-cambismo: Sistema que liberaliza as trocas internacionais. No sistema livre-cambista, o Estado deve abster-se de interferir nas correntes do comércio, pelo que os direitos alfandegários, a fixação de contingentes e as proibições de entrada e saída devem ser abolidos.

  • Entre 1850 e 1870, a tendência livre-cambista dominou a Europa e mesmo os Estados Unidos, que sempre protegeram a sua indústria, baixaram as tarifas aduaneiras. O comécio internacional conheceu, então, um período de forte crescimento.

As debilidades do livre-cambismo; as crises cíclicas

Crise cíclica: Estado periódico de agudo mal-estar e de mau funcionamento da economia. Ao contrário das crises nas economias pré-indústrias, que eram sobretudo de escassez, nas economias industriais é provocada por fenómenos de super-produção.

  • Mesmo as nações desenvolvidas, o ritmo económico era abalado por crises cíclicas, que faziam retrair os negócios e provocavam numerosas falências. Estas crises que sucediam numa periodicidade de 6 a 10 anos eram dum tipo completamente novo às crises de escassez do Antigo Regime, eram crises de superprodução.

Por falta de previsão financeira e excesso de investimentos, a tendência da indústria instalar-se e ampliar-se, inverte-se:

  • Os stocks acumulam-se nos armazéns (superprodução);
  • Os preços baixam a fim de dar saída às mercadorias acumuladas;
  • Suspendem-se os pagamentos aos bancos, os créditos e os investimentos financeiros;
  • O desemprego crescente faz diminuir o consumo e a produção decai ainda mais.

O mercado internacional e a divisão do trabalho

  • Ao longo do século XIX, comércio mundial cresceu aceleradamente com o aumento da produção e os progressos dos transportes e das comunicações;
  • Favorecida pelo avanço industrial, a Inglaterra dominou as trocas comerciais, sendo que a França detinha o segundo lugar, mas que foi ultrapassada pela Alemanha e pelos Estados Unidos da América;
  • Os “quatro grandes” tornaram-se as “fábricas do mundo”, responsáveis por mais de 70% da produção industrial;
  • Cerca de 1850 está consolidado este sistema de trocas desigual, que ainda hoje se mantém e que perpétua a diferença entre os países desenvolvidos e o mundo atrasado que lhe fornece as matérias-primas.

A explosão populacional; A expansão urbana e o Novo urbanismo; Migrações internas e emigração

A explosão populacional

  • Entre 1800 e 1914 a população mundial duplicou. Nesse processo de crescimento, a Europa ocupou um lugar de destaque, enquanto a África e a Ásia tiveram acréscimo populacional de 1/3, a Europa mais do que duplicou, sendo por isso, o seu crescimento, mais rápido e intenso do que o resto do mundo;
  • Se nos lembrarmos que foram os efectivos europeus que se deveu a colonização do Norte e Sul da África, da América Latina e da Austrália, mas também da América do Norte, então poderemos comparar a explosão populacional a uma explosão branca.

Os motivos da explosão populacional europeia

  • O primeiro facto a ter em conta ao analisarmos a explosão populacional diz respeito ao decréscimo da mortalidade;
  • Embora a mortalidade infantil permanecesse elevada e apesar do recuo da mortalidade ser mais tardio na Europa Oriental e Meridional, um facto é que a baixa mortalidade pôs fim ao modelo demográfico do Antigo Regime. Tal pode ser explicado por uma melhor higiene, uma melhor alimentação e pelos progressos da medicina.

No que se refere à melhor higiene, devemos considerar:

  • A nível individual: a mudança mais frequente de vestuário;
  • A nível público: a construção de esgotos e de instalações para abastecimento de água potável. De salientar, também, a utilização do tijolo nas construções, a substituir a madeira, que era pasto de ratos e doenças.

Melhor alimentação

  • A disponibilidade de géneros, em quantidade e qualidade, e o progresso dos transportes surgiram como poderosos travões às crises de abastecimento e às terríveis fomes;

Medicina

  • A medicina conheceu avanços decisivos. Difundiu-se a vacina antivariólica de Jenner e outras vacinas e soros que debelaram o tifo, a cólera, a raiva e a difteria. Operou-se com anestesia e praticou-se mais largamente a desinfecção e a anti-sepsia;

Esperança média de vida

  • Todos estes progressos, permitiram aos Europeus contar com uma maior esperança de vida. Nas vésperas da Primeira Guerra Mundial e nos países mais tocados pela industrialização, 50 anos era a média de vida, o que significava um aumento de 10-15 anos em apenas meio século.

Taxa de natalidade

  • À excepção da França, as taxas de natalidade mantiveram-se elevadas ou decresceram lentamente durante o século XIX. Só após 1870, a natalidade declinou, dando-se início ao regime demográfico moderno.

A Expansão urbana

  • A população urbana conheceu um impulso decisivo no século XIX. De facto, as cidades cresceram em número, em superfície e em densidade populacional sendo a urbanização mais significativa nos países industrializados e nos países novos.

Os motivos

  • A expansão urbana oitocentista foi corolário da expansão demográfica e das transformações económicas. Na verdade, as cidades expandem-se, porque se verificou um crescimento natural das populações. Aos seus efeitos somaram-se os do êxodo rural, provocado pelas transformações da agricultura e pela industrialização e favorecimento dos transportes;
  • Mas a fuga do campo para a cidade não significou somente uma redistribuição geográfica das populações. As mudanças repercutiram-se, também, na estrutura profissional; o sector primário recuou, enquanto o secundário e o terciário cresceram;
  • A imigração é outro factor do crescimento urbano no século XIX. Trabalhadores da Escócia ou da Irlanda instalaram-se nas cidades industriais da Inglaterra. Polacos trabalharam nas minas francesas ou na bacia do Rur. Quanto aos Estados Unidos, ficaram célebres as suas cidades cosmopolitas, como Chicago e Nova Iorque.

Os problemas

  • Mal preparadas para receberem multidões, as cidades não possuíam os adequados sistemas sanitários, redes de distribuição de água ou serviços de limpeza das ruas. Nos bairros populares, superpovoados, uma população numerosa vivia na miséria e promiscuidade. Famílias inteiras acumulavam-se em habitações lúgubres e insalubres, que se resumiam a um único compartimento;
  • Manifestações de desregramento e delinquência completavam o quadro negro da vida urbana. Na cidade era comum os nascimentos ilegítimos e os divórcios mostravam-se duas vezes mais numerosos. A prostituição, a mendicidade, o alcoolismo, a criminalidade faziam parte do quotidiano.

O novo urbanismo

  • Grandes trabalhos de urbanismo foram levados a cabo nas cidades europeias e americanas do século XIX.
  • Em Paris, ficaram célebres os planos do barão Haussmann de engrandecer e embelezar a cidade. Paris é um exemplo de uma cidade que cresceu e se urbanizou em extensão, extravasando as muralhas;
  • Nos Estados Unidos, a urbanização processou-se em altura, criando-se uma paisagem característica de arranha-céus;
  • De uma forma geral, o centro tornou-se o local mais cuidado, para onde convergem as grandes obras de renovação, onde ainda existem zonas verdes cuidadosamente arranjadas, a pavimentação é esmerada nas ruas e passeios, a água potável abunda, tal como a rede de esgotos e saneamento;
  • No fim do século XIX, o núcleo antigo das cidades já não tem condições para albergar as vagas sucessivas de populações que aí ocorrem. As rendas sobem e o alojamento falta. Sempre que possível, anexam-se terrenos circundantes, onde no meio da desordem, se acumulam habitações, fábricas, etc. foi esta a origem dos subúrbios.

Migrações internas e emigração

Vastas correntes migratórias que atravessaram o século XIX, no período que decorre entre 1850 e 1914.

Migrações internas

Algumas dessas correntes processaram-se no interior do mesmo país, sendo, pois, designadas de migrações internas. Cabem nesta categoria:

  • As deslocações sazonais de trabalhadores entre zonas rutaus com um calendário agrícola desfasado;
  • Os fluxos migratórios dos campos para as cidades, isto é, o êxodo rural. As dificuldades da agricultura e os efeitos da industrialização exerceram, desde 1850, uma autêntica punção na população rural;

Emigração

  • Todavia, a maior corrente migratória do século XIX foi constituída pela emigração, que rompeu fronteiras e galgou os mares. Na Ásia, vários milhares de chineses alcançaram o Sudeste do continente e avançaram para a América. Dentro da Europa, os italianos deslocaram-se para a Suíça, Alemanha, Áustria e França.
  • A Europa teve o maior fluxo emigratório que a História jamais conheceu. Quarenta milhões de homens dirigiram-se, ao longo do século XIX e até 1914, para os Estados Unidos, Canadá, América Latina, Austrália, Nova Zelândia, África do Norte, África do Sul, Sibéria e regiões Cáucaso. Operou-se uma extraordinária “explosão branca” a nível mundial;
  • Desde 1845-1850, verificou-se verdadeiras partidas em massa, favorecidas, para o efeito, pela revolução dos transportes marítimos e pela propaganda das companhias de navegação e agências de viagens.

Os motivos

  • Motivos demográficos e económicos: Uma Europa densamente povoada com uma precária distribuição dos recursos, uma agricultura pouco compensadora e um insuficiente desenvolvimento industrial, incitava os seus filhos à partida, como fuga à proletarização;
  • Motivos políticos e religiosos: Tiveram, também, a sua quota-parte no causal emigratório europeu. Movimentos revolucionários fracassados expulsaram polacos, franceses e alemães, enquanto os judeus russos fugiram aos progroms de fins do século. A uma Europa envelhecida e com perda de potencial contrapôs-se uma América pujante, dinâmica e empreendedora.

A emigração portuguesa

  • Na segunda metade do século XIX, Portugal teve uma assinalável participação no surto emigratório europeu. Na década de 1870, 10 mil portugueses deixaram anualmente o país, número que salta para 18 mil na década seguinte;
  • Tal como nos restantes países mediterrâneos, em Portugal a industrialização e a urbanização ténues não absorviam a população excedentária. Em 1900, 80% da população vivia ainda em freguesias rurais e vilas;
  • A emigração constituiu, em Portugal uma forma de fuga à fome e à miséria, numa tentativa desesperada de resistência à proletarização.

Unidade e diversidade da sociedade oitocentista

Uma sociedade de classes

Sociedade de classes: Tipo de sociedade que se generaliza no mundo ocidental desde o século XIX. Caracteriza-se a unidade do corpo social, na medida em que os indivíduos, nascidos livres e iguais em direitos, dispõem do mesmo estatuto jurídico.

  • Fundamentalmente, eram dois os grandes grupos sociais ou classes em que se dividia a sociedade oitocentista – a burguesia e o proletariado. Separava-os o trabalho produtivo manual nas fábricas e no campo, excluído pelos burgueses e reservado aos proletários;
  • No entanto, a situação revelava-se bem mais complexa, particularmente no tocante à burguesia. A diversidade de estatutos económico-profissionais e de padrões culturais, bem como a mobilidade e a rearrumação constante dos seus elementos, levam-nos a considerar a burguesia como um grupo social heterogéneo, reenchido por uma hierarquia de classes.

A condição burguesa: heterogeneidade de situações; valores e comportamentos

A alta burguesia empresarial e financeira

  • A imagem-tipo do burguês do século XIX aplica-se na perfeição À alta burguesia empresarial e financeira;
  • Graças à concentração do poder económico, do poder político e do poder social, a alta burguesia usufruiu de uma notável hegemonia. O poder económico resultou do controlo dos meios de produção e das grandes fontes de riqueza;
  • De um modo geral, esse poder perpetuava-se em determinadas famílias, que constituíam autênticas dinastias de banqueiros, industriais, homens de negócios e grandes proprietários;
  • Aventurando-se nos meandros da vida política, a alta burguesia consolidou o seu poder económico. Sempre que possível, os grandes empresários criavam grupos de pressão e, inclusive, alcandoravam-se as lugares cimeiros da administração pública, como deputados, ministros e até presidentes da República;
  • Quanto ao poder social, a alta burguesia exercia-o através do ensino, da imprensa, do lançamento de modas. Difundindo os seus valores e comportamentos, influenciava a opinião pública, que, assim, melhor acolhia as suas iniciativas.

A formação de uma consciência de classe burguesa

  • Os valores que a alta burguesia apresentava eram muito parecidos com os da velha aristocracia titular. A imitação da aristocracia passava pela compra de propriedades, garantia de respeitabilidade. Passava também pelas férias em estâncias de moda, assistência às corridas de cavalos, recepções e bailes era outros tantos sinais exteriores do seu êxito;
  • Aos poucos, porém, a alta burguesia criou consciência de classe, reconhecendo-se como um grupo autónomo que comungava de atitudes e valores específicos. O culto da ostentação foi cedendo lugar perante o enaltecimento do trabalho, do estudo, da poupança, da moderação e da prudência;
  • No fomento das virtudes burguesas, a família assumia um papel de relevo e o êxito individual e a mobilidade social ascendente, a alta burguesia apontava as carreiras prodigiosas de alguns dos seus elementos, verdadeiros self-made-men.

Proliferação do terciário e incremento das classes médias

  • As classes médias apresentavam-se como um mundo heterogéneo composto por milhões de indivíduos, sem contacto com o trabalho manual, mas também sem controlarem os grandes meios de produção;
  • A classe média ilustrava na perfeição a mobilidade ascensional da nova sociedade de classes;
  • A classe média era constituída em primeiro lugar pelos pequenos empresários da indústria. Seguiam-se os possuidores de rendimentos, os donos de bens fundiários, de imóveis, de obrigações e acções que lhes asseguravam colocações sólidas de capital;
  • Foi pela proliferação do terciário e dos serviços que as classes médias deveram o seu incremento. A necessidade de distribuir a riqueza produzida dez crescer os empregos comerciais: patrões grossistas ou retalhistas, transportadores, empregados de loja ou grande armazém, vendedores;
  • Quanto às profissões liberais (por conta-própria) estavam os advogados, médicos, farmacêuticos, engenheiros, notários, intelectuais, artistas. O saber científico conferia-lhes autoridade e estatuto;
  • Conhecidos por colarinhos-brancos, os empregados de escritório encontravam colocação nas repartições estatais, nas grandes firmas industriais, nos bancos, nas companhias de seguros;
  • Quanto aos professores, podemos dizer que foram uma profissão de sucesso em finais do século XIX. Oriundos, frequentemente do campesinato, ilustravam essa mobilidade social tão cara às classes médias e à sociedade burguesa.

Conservadorismo das classes médias

  • Embora portadoras da ideologia do progresso, em nome da qual se promoveram, as classes médias eram socialmente conservadoras;
  • O sentido da ordem, do estatuto e das convenções, o respeito pelas hierarquias marcaram para sempre as classes médias, tal como o gosto pela poupança que lhes assegurava o conforto material e até pequenos luxos;
  • Junto das classes médias respirava-se respeitabilidade e decência – afinal os pilares da moral burguesa. No seio da família desenvolviam-se as virtudes públicas e privadas: o gosto pelo trabalho, pelo estudo e o sentido da responsabilidade; a moral austera e o culto das aparências.

Condição operária: salários e modos de vida; Associativismo e sindicalismo; as propostas socialistas de transformação revolucionária da sociedade

Proletariado: Segundo a terminologia marxista, significa a classe operária que, sem meios de produção, vende a sua força de trabalho (manual) em troca de um salário.

Condições de trabalho

  • O proletariado constituía, uma mão-de-obra não qualificada, mais sujeita à arbitrariedade e à exploração;
  • No seu local de trabalho, o operário defrontava-se com um ambiente inóspito: frio glacial no Inverno e calor sufocante no Verão; má iluminação; falta de arejamento; barulho ensurdecedor; riscos de acidente; ausência de vestiários, sanitários e cantinas; horário de refeições praticamente inexistente; horário de trabalho de 12 a 16 horas diárias, sem feriados, férias e, até, descanso dominical; salários de miséria.

Condições de vida

  • Caves húmidas ou sótãos abafados, alugados a preços especulativos, eram as suas habitações. Nelas tudo faltava: a luz, a higiene, a salubridade;
  • Por sua vez, a alimentação mostrava-se insuficiente e desequilibrada. Esgotados pelo trabalho, quase sem horas de sono, mal alojados e subnutridos, os operários constituíam um terreno favorável à propagação de doenças;
  • O alcoolismo, a prostituição, a delinquência e a criminalidade completavam o quadro da miséria e da sordidez.

O movimento operário: associativismo e sindicalismo

Associativismo: traduziu-se na criação de associações de socorros mútuos, também denominadas mutualidades ou sociedades fraternas. Através de quotizações simbólicas dos filiados, acudiam aos necessitados, na doença, na morte, na velhice, no desemprego ou durante as greves;

Sindicalismo: Consistiu na criação de associações de trabalhadores para defesa dos seus interesses profissionais. Os operários contribuíram com as necessárias quotas e os sindicatos propunham-se a lutar pela melhoria dos salários e das condições de trabalho recorrendo, se necessário, à greve, como forma de pressionar a entidade patronal;

As propostas socialistas de transformação revolucionária da sociedade

Socialismo: Teoria, doutrina u prática social que defende a supressão das diferenças entre as classes sociais, mediante a apropriação pública dos meios de produção e a sua distribuição mais equitativa.

  • As propostas socialistas desenvolveram-se, ainda, na primeira metade do século XIX e tiveram como objectivos comuns a denúncia dos excessos da exploração capitalista, a erradicação da miséria operária e a procura de uma sociedade mais justa e igualitária.

O socialismo utópico

  • O socialismo utópico distinguiu-se pelas suas propostas de reforma económica e social, que passava pela recusa da violência, pela criação de cooperativas de produção e de consumo ou pela entrega dos assuntos do Estado a uma elite de homens esclarecidos que governariam de molde a proporcionarem uma maior justiça social;
  • P.-J. Proudhon, o mais ousado dos socialistas utópicos, defendia a abolição da propriedade privada, que considerava “um roubo”, e do próprio Estado, que classificava de desnecessário:

O marxismo

  • O socialismo marxista retira o nome do alemão Karl Marx que, juntamente com o seu compatriota Friedrich Engels, publicou, em 1848, o Manifesto do Partido Comunista. Esta obra marcou de forma profunda o Socialismo e a História, na medida em que foi portadora de uma nova concepção de sociedade e esteve na origem de inúmeros movimentos revolucionários ao longo do século XX;
  • Explicou a luta de classes pelas condições materiais de existência e fez dela o verdadeiro motor da História;
  • Ao analisarmos o modo de produção capitalista, Marx salientou que ele repousa na mais-valia. Isto é, o salário do operário não corresponde ao valor do seu trabalho, mas apenas ao valor dos bens de que ele necessita para sobreviver, pelo que a exploração do operário é o lucro do burguês capitalista;
  • Para efeito, tornava-se necessário que o proletariado, organizado em sindicatos e, especialmente, em partidos, conquistasse o poder político e exercesse a ditadura do proletariado. Esta mais não seria que uma etapa a anteceder e preparar a verdadeira sociedade socialista – o comunismo -, uma sociedade sem classes, sem propriedade privada, sem “exploração do homem pelo homem”.

Os afrontamentos imperialistas: O domínio da Europa sobre o mundo

Zonas de expansão europeia nos finais do século XIX, início do século XX:

  • Grã-Bretanha – acalentava o projecto de dominar o território africano do Cairo ao Cabo; ocupava os territórios da Índia, Austrália, do Canadá; exercia influência sobre a China e tinha também Hong-Kong;
  • França – Ocupou territórios no norte e centro africanos (por exemplo Marrocos, Argélia, Tunísia), na Ásia (Indochina) e na América (Antilhas francesas);
  • Império Alemão – Possuíam territórios em África e exercia influência na Ásia Menor e na Península Arábica;
  • Rússia – Zonas como a Geórgia, Azerbaijão e procurou estender a sua influência ao Extremo Oriente.

clip_image002A expansão europeia inscreve-se numa estratégia de controlo de uma vasta extensão territorial com vista à satisfação das necessidades económicas das metrópoles e à afirmação de uma pretensa superioridade cultura.

O exemplo mais evidente de imperialismo e colonialismo (domínio de um povo sobre outro, a vários níveis: político, económico, social e cultural).

clip_image003Conferência de Berlim – Os chefes de Estado europeus repartiram, entre si, o território africano sem atender às fronteiras definidas pelos povos nativos e impuseram o seu domínio a todos os níveis (económico, político, militar).

Definiram ainda que a colonização só poderia assentar no princípio da ocupação efectiva, isto é, já não bastava ter descoberto ou conquistado o território para ter direito a possuí-los (direito histórico), era preciso que nos territórios por eles ocupados mostrassem que eram capazes de “assegurar”, a existência de uma autoridade suficiente para respeitar os direitos adquiridos (nomeadamente ter meios para efectivamente explorar esses territórios).

clip_image004O Imperialismo é uma consequência da industrialização.

clip_image005Os países europeus têm necessidade de obter matérias-primas para a produção e de mercados para escoar os excedentes.

O continente europeu, em face de explosão populacional, precisava de colónias para aliviar a pressão demográfica.

Rivalidades imperialistas

França/Império Alemão – A rivalidade explica-se pela disputa da Alsácia e Lorena, território perdido para a Alemanha em 1871, e por outro lado, pelo desenvolvimento do Império Alemão, que retirou à França parte da preponderância económica que esta detinha sobre a Europa. Em contrapartida a França consegue dominar grande parte do Norte de África;

Império Russo/Império Austro-Húngaro – A rivalidade entre estes impérios tem essencialmente a ver som a disputa da influência nos Balcãs;

Império Russo/Japão – As ambições do Império Russo no Extremo Oriente colidiam com o imperialismo japonês, o que acabou por provocar, em 1904-1905, a guerra russo-japonesa, de que saiu vitorioso o Japão;

Clima de “paz armada”

A tensão gerada pelas rivalidades económicas levou os estados europeus a procurarem aliados:

  • 1879 – Dupla Aliança (Alemanha e Áustria-Hungria);
  • 1882 – Tríplice Aliança (Alemanha, Áustria-Hungria e Itália);
  • 1907 – Tríplice Entente (França, Rússia, Grã-Bretanha).

clip_image007A política de alianças era complementada por uma corrida aos armamentos.

  • 1908 – Áustria-Hungria anexou a Bósnia-Herzegovina, gerando protestos na Sérvia, a qual pretendia desempenhar um papel influente nos Balcãs;
  • 1914 – O herdeiro do trono austro-húngaro foi assassinado na Bósnia, a suspeita de que a Sérvia pudesse estar envolvida nesse acto, levou o Imperador Francisco José da Áustria-Hungria a declarar guerra à Sérvia.

clip_image008

Início da 1º Guerra Mundial

Regeneração

clip_image0091851 – Golpe de Estado do Merechal Saldanha que instaurou uma nova etapa política.

clip_image010Regeneração – Etapa que se estendeu, cronologicamente, até à implantação da República (1910).

Teve um duplo significado:

  • Pretendia-se o progresso material do país, com o fomento do capitalismo aplicado às actividades económicas;
  • Encerrava-se uma longa fase de conflitos entre as facções liberais.

Fontismo

A política de obras públicas do período da Regeneração foi designada por fontismo devido à acção do ministro Fontes Pereira de Melo.

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Preocupado em recuperar o país do atraso económico, Fontes encetou uma política de instalação de infra-estruturas e equipamentos, tais como estradas, caminhos-de-ferro, carros eléctricos, pontes, portos, telégrafos e telefones.

Vislumbravam-se três grandes vantagens do investimento em transportes e meios de comunicação:

  • A criação, pela primeira vez na história portuguesa, de um mercado nacional, fazendo chegar os produtos a zonas isoladas e estimulando o consumo;
  • O incremento agrícola e industrial;
  • O alargamento das relações entre Portugal e a Europa evoluída;

Verb Tenses

•03/15/2010 • Deixe um Comentário

Present Simple

Form

Afirmative – It is formed with the infinitive without “to”. In 3rd person singular we add –s or –es.

Negative and interrogative – We need the auxiliary “do”.

e.g.

  • Afirmative: Teenagers work in a team.
  • Negative: Teenagers don´t work in a team.
  • Interrogative: Do they have fun? Does the Centre offer many activities?

Use – We use the Present Simple to talk about facts, general truths, repeated actions or habits (routines) and permanent situations.

Present Continuous

Form

Affirmative – It is formed with the verb “to be” (Present Simple) + verb + ing.

e.g. She is swimming.

Negative – Subject + verb “to be” (Present Simple) + not + verb + ing.

e.g. They are not having a good time.

Interrogative – Verb “to be” (Present Simple) + subject + verb + ing.

e.g. Is she always phoning home?

Use – We use the Present Continuous to talk about:

  • Something happening now;
  • Arrangements in the future;
  • Repeated actions with always;
  • A temporary state or routine;
  • Actions happening in the near future.

Present Simple and Present Continuous

Present Simple

It is used to talk about habits or routines.

e.g. They go to the beach every morning.

Present Continuous

It is used to talk about something that is happening now or that is not permanent.

e.g. Now they are playing volleyball on the beach.

Past Simple

Form

Affirmative – Verb + ed or irregular form.

e.g. He worked late yesterday. He went to bed at 2 am.

Negative and interrogative – We need the auxiliary “did”.

e.g.

Negative: They didn’t arrive on time.

Interrogative: Did she sing that song?

Use – We use the Past Simple when we refer to:

  • Something that happened in the past and is finished now;
  • A sequence of events in past.

Past Continuous

Form

Affirmative – Subject + verb “to be” (Simple past) + verb + ing.

e.g. He was having an ice-cream.

Negative – Subject + verb “to be” (Simple past) + not + verb + ing.

e.g. I wasn´t listening to you.

Interrogative – Verb “to be “ (Simple past) + subject + verb + ing.

e.g. Were they enjoying themselves?

Use – We use the Past Continuous to:

  • Describe an action that was in progress in the past.

e.g. They were having dinner at a famous British restaurant yesterday ai eight o’clock.

  • Talk about two or more simultaneous actions in the past.
  • e.g. They were having dinner, they were listening to music and they were laughing.

Past simple and past continuous

Sometimes when you are in middle of something, something else happens…

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e.g They were admiring the monuments when… – Past Continuous 1 | started to rain – Past Simple 2

The verb in the action that was in progress (1) is in Past Continuous and the verb in the action that interrupts (2) is in the Past Simple.

Present Perfect

Form

Affirmative – Subject + has/have + Past Participle of the main verb.

e.g.

  • She has already finished high school.
  • You have just started to write your CV.

Negative – Subject + has/have + not + Past Participle of the main verb.

e.g. She hasn’t finished high school yet.

Interrogative – Has/have + subject + Past Participle of the main verb.

e.g. Have you been to England?

Use – We use the Present Perfect to talk about things that started in the past, but still continue in the present. We generally use the Present Perfect with:

  • How long;
  • Since;
  • For;
  • Already;
  • Never;
  • Ever;
  • Yet;
  • Just;
  • Lately;
  • Up to now…

O empirismo de David Hume

•03/10/2010 • Deixe um Comentário

Empirismo – É a corrente filosófica que, de uma forma geral, considera que a experiência sensível é o fundamento e o limite dos nossos conhecimentos.

Impressões e ideias são o conteúdo do conhecimento

Para David Hume, todo o conhecimento começa com a experiência. Hume fala de percepções para referir os conteúdos da nossa mente. Há duas espécies de conteúdos:

  • As impressões: são actos originários do nosso conhecimento e correspondem aos dados da experiência presente ou actual. Referem-se às nossas sensações externas (ao que vemos, ao que tocamos, etc.) e aos nossos sentimentos (paixões, emoções, desejos, etc.);
  • As ideias: são as representações ou imagens debilitadas, enfraquecidas, das impressões no pensamento. São como marcas deixadas pelas impressões, uma vez estas desaparecidas.

Exemplo:

Tenho a percepção deste automóvel. Recebo impressões como a cor, a forma, o ruído do motor, etc. Fecho os olhos e na minha mente continua a imagem do automóvel. A essa cópia enfraquecida da impressão original, dá Hume o nome de ideia.

Não há ideias inatas

A relação entre impressões e ideias significa que não há, para Hume, ideias inatas. Como todas as nossas ideias são cópias das impressões sensíveis, todas elas têm uma origem empírica. Uma pessoa que seja surda de nascença nunca conseguirá, segundo Hume, formar qualquer ideia do tipo musical porque nunca ouviu qualquer som musical.

Os conteúdos da mente

As percepções, impressões e ideias, apresentam graus de força. São simples ou complexas.

Impressões

  • Simples: Por exemplo, a percepção de um automóvel vermelho.
  • Complexas: A visão global de um povoado a partir de um ponto alto.

Ideias

  • Simples: A recordação de um automóvel vermelho.
  • Complexas: A recordação do povoado.

Tipos de conhecimentos

Conhecimento de ideias (relações entre ideias) – São conhecimentos a priori, que consistem em analisar o significado dos elementos de uma proposição. As relações entre ideias são proposições cuja verdade pode ser conhecida pela simples inspecção lógica do seu conteúdo. Por exemplo: “O quadrado tem quatro lados” é um juízo necessariamente verdadeiro e para isso basta analisar o significado de “quadrado”.

Conhecimento de questões de facto – São proposições cujo valor de verdade tem de ser testado pela experiência, ou seja, temos de “inspeccionar” o mundo dos factos para verificar se elas são verdadeiras ou falsas. Por exemplo: “Este martelo é pesado” é um juízo cujo valor de verdade não pode ser decidido pela simples inspecção a priori.

O conhecimentos de facto e a relação de causalidade

Os conhecimentos matemáticos e lógicos baseiam-se em relações de ideias, na análise lógica e no raciocínio dedutivo. Os conhecimentos de facto baseiam-se sobretudo no raciocínio indutivo e na relação causa-efeito.

Consideremos o seguinte enunciado:

Um determinado aumento de temperatura é a causa da dilatação de certos corpos.

O que entendemos exactamente por relação causal?

Por relação causal ou de causalidade entendemos uma conexão ou ligação necessária entre acontecimentos.

Um determinado aumento de temperatura A é a causa da dilatação de certos corpos B.

O que significa dizer que A é a causa de B, sempre que, em certas condições acontece A, acontece ou sucede necessariamente B. A produz necessariamente B, que este, sem aquele, não aconteceria, que a dilatação é produzida por determinado aumento de temperatura e que, sendo assim, sempre assim foi e sempre assim será. Como consequência da conjunção constante ou sucessão regular de A e de B, pensamos que, acontecendo A, não poderá deixar de acontecer B.

Mas será que temos experiência desta ideia de conexão necessária?

Quando dizemos que, acontecendo A, sempre acontecerá B, estamos a falar de um facto futuro, que ainda não aconteceu. É aqui que Hume diz que ultrapassamos o que a experiência – a única fonte de verdade dos conhecimentos de facto – nos permite. Com efeito, para Hume, o conhecimento dos factos reduz-se às impressões actuais e passadas. não podemos ter conhecimentos de factos futuros porque não podemos ter qualquer impressão sensível ou experiência do que ainda não aconteceu.

Como nasce então a ideia de uma conexão ou ligação necessária entre causa e efeito?

De tantas vezes observarmos que um corpo dilata após um determinado aumento de temperatura acontece isto: sempre que vemos acontecer um dado aumento de temperatura, concluímos, devido ao hábito, que certos corpos vão dilatar.

  • A constante conjunção e sucessão de A e B levam a razão a inventar uma conexão que ela julga necessária, mas da qual nunca teve experiência. A necessidade aqui é meramente psicológica.

O cepticismo de Hume não é radical. Hume pensa que não podemos deixar de acreditar na ideia de regularidade constante dos fenómenos porque, sem essa crença, a vida seria impraticável. É importante notar que Hume nunca pretendeu com a sua crítica afirmar que não há relações causais no mundo. Não negou o princípio Não há efeito sem causa. Unicamente afirmou que não podemos racionalmente justificar uma tal crença.

O racionalismo de Descartes

•03/09/2010 • Deixe um Comentário

Descartes – Filósofo francês e matemático considerado o fundador da filosofia moderna, Descartes dá importância central à teoria do conhecimento ou gnoseologia.

Racionalismo – Costuma chamar-se racionalismo à corrente filosófica que atribui um valor superior à razão, defendendo que os nossos conhecimentos verdadeiros procedem dela e não da experiência ou dos sentidos. Descartes é considerado o expoente máximo do racionalismo da época moderna.

  • Descartes começa por dizer que recebeu muitas opiniões falsas e que se vai desfazer de todas as opiniões que erradamente dera crédito;
  • A intenção de Descartes é a de começar tudo de novo, de inspeccionar os conhecimentos transmitidos, ou seja, o conhecimento do seu tempo.

Questões que se colocam:

Nada satisfaz Descartes?

Descartes não é um filósofo que esteja desiludido com tudo, aliás o filósofo manifesta um grande apreço pelo conhecimento matemático. Para ele o conhecimento matemático é puramente racional, pois não depende da experiência, claro e distinto, de tipo dedutivo em que os raciocínios encadeiam-se de forma rigorosa.

Será que Descartes é céptico?

Não, Descartes não é céptico pois acredita que há conhecimentos claros e distintos, como por exemplo as matemáticas, para além disso, nunca diz que tudo é falso.

O que significa dizer “começar tudo de novo desde os fundamentos”?

Significa dizer que Descartes pretende submeter o saber da sua época a um exame radical, não aceitando nada como verdadeiro que não reconheça clara e distintamente como sendo verdadeiro.

A atitude de Descartes perante o saber do seu tempo é de desprezo absoluto?

Não, ao criticar o saber do seu tempo, Descartes não pretende dizer que com ele é que surge a verdade. A atitude de Descartes com o saber do seu tempo caracteriza-se em dois vectores:

  1. O conhecimento do seu tempo está assente em bases frágeis;
  2. O conhecimento do seu tempo está desorganizado.

Qual o objectivo de Descartes?

O objectivo fundamental de Descartes é uma profunda reforma no conhecimento humano. Para Descartes o problema do conhecimento do seu tempo não é que não haja conhecimentos verdadeiros, estes não estão é colocados por ordem e assentam em alicerces frágeis, pois as bases do edifício do saber são conhecimentos duvidosos ou falsos.

Dúvida – A dúvida não é um método, a dúvida é um instrumento metodológico porque é a forma de aplicar a primeira evidência, que identifica o verdadeiro do indubitável.

Para Descartes é conhecimento o que possuir as seguintes características:

  • Tem de ser de tal forma evidente, que o pensamento não possa dele duvidar;
  • Dele dependerá o conhecimento do resto, ou seja, nada pode ser conhecimento sem ele.

Descartes sabe que nem todos os conhecimentos recebidos são falsos, os conhecimentos matemáticos, por exemplo, são verdadeiros. Trata-se de separar o trigo do joio, o verdadeiro do falso, ou seja, é necessário derrubar o edifício do saber e aproveitar o conhecimento verdadeiro, aquele que não podemos duvidar.

As bases do conhecimento do tempo de Descartes eram frágeis porque:

  1. Se acreditava que a experiencia é a fonte dos nossos conhecimentos;
  2. Se acreditava na existência de um mundo físico, que só por si, constituí-a objecto de conhecimento;
  3. Se acreditava de que o nosso entendimento não se engana ou não pode estar enganado quando descobre conhecimentos verdadeiros.

Como avaliar a solidez das bases ou dos alicerces?

Submetendo o conhecimento a um exame impiedoso de forma a encontrar razões para duvidar da sua verdade, utilizando este critério duplo:

  1. Considerar como absolutamente falso o que for minimamente duvidoso;
  2. Considerar como sempre nos enganando aquilo que alguma vez nos enganar.

Dúvida hiperbólica: Consiste em identificar o minimamente duvidoso como falso. É assim chamada por ser exagerada. É uma forma de garantir que a crença a resistir seja absolutamente verdadeira.

Conhecimento verdadeiro para Descartes – É sinónimo de conhecimento absolutamente verdadeiro. Entre a verdade e a falsidade não há meio-termo: um conhecimento ou é absolutamente verdadeiro, sem razão para duvidar dele ou então, deve ser considerado como falso.

Os níveis de aplicação da dúvida metódica

Descartes inventou um método constituído por quatro regras simples. Este método ordena que se considere como falso o que não for absolutamente verdadeiro e evidente. Diz-nos para não aceitarmos como verdadeiro o que não for absolutamente indubitável. A dúvida é dita metódica e também hiperbólica.

O primeiro nível da aplicação da dúvida: Os sentidos enganam-nos

A crença de que o conhecimento começa com a experiência, ou seja, de que os sentidos são fontes seguras de conhecimento, é a primeira base dos conhecimento tradicionais que Descartes vai questionar e rejeitar como falsa. Os sentidos enganam-nos algumas vezes, como quando, nos dão a impressão de ser redondo o que é quadrado, verde o que é amarelo. Para Descartes não devemos acreditar naquilo que já nos enganou anteriormente.

O segundo nível da aplicação da dúvida: O mundo físico é uma ilusão

Descartes questiona a existência de uma realidade física independente do nosso pensamento. Descartes inventa um argumento engenhoso que se baseia na impossibilidade de encontrar um critério absolutamente convincente que nos permita distinguir o sonho da realidade. Há acontecimentos que, vividos durante o sonho, são vividos com tanta intensidade como quando estamos acordados. Não há uma maneira clara de diferenciar o sonho da realidade, pode surgir a suspeita de que aquilo que consideramos real não passe de um sonho.

O terceiro nível da aplicação da dúvida: O entendimento virado do avesso

Descartes vai pôr em causa aquilo que até então considerara o modelo do saber verdadeiro: conhecimento matemático. As matemáticas são produtos da actividade do entendimento e por isso constituem a dimensão dos objectos inteligíveis. O argumento que vai abalar a confiança depositada na matemática prende-se com o facto de o meu entendimento poder estar radicalmente pervertido, tomando por verdadeiro o que é falso e por falso o que é verdadeiro.

A descoberta de uma verdade absolutamente indubitável: "Penso (duvido), logo existo"

A aplicação da dúvida pôs em causa toda a dimensão dos objectos, quer sensíveis quer inteligíveis. nenhum objecto resistiu ao exame impiedoso da dúvida. Neste momento poderiamos dizer que reinava o cepticismo, contudo era uma conclusão precipitada. Há uma  verdade indubitável que se vai impôr. O acto de duvidar é um acto que tem de ser exercido por alguém, é necessário haver um sujeito que duvide. Logo, a existência de um sujeito é uma verdade indubitável: "Penso, logo, existo", pode ser transformada em "Duvido, logo, existo".

Características da primeira verdade:

  1. A primeira verdade é um alicerce inabalável, que apartir dela descobriremos um vasto conjunto de conhecimentos;
  2. É uma verdade puramente racional;
  3. É uma verdade descoberta por intuição;
  4. O "Cogito" vai funcionar como modelo de verdade;
  5. A primeira verdade diz-nos também que a essência do sujeito que duvida é ser uma substância meramente pensante.
  6. Ao mesmo tempo que descubro a minha existência como sujeito pensante, descubro que a alma é distinta do corpo;
  7. O Cogito corresponde ao "grau zero" do conhecimento no que respeita aos objectos físicos e inteligíveis,
  8. A primeira verdade é a afirmação da existência de um ser que é imperfeito.

A prova da existência de Deus como Ser Perfeito (não enganador)

Sei que sou imperfeito porque duvido. A condição necessária para considerar que duividar é uma imperfeição é a de que eu saiba em que consiste a perfeição. Só comparando as qualidades que eu possuo com a perfeição (que é Deus) é que posso dizer que eu, que duvido e não conheço tudo, sou imperfeito.

Existe um ser perfeito?

Descartes conclui que só o que é perfeito pode ser a causa da ideia de perfeito e que por isso Deus existe.

A fundamentação metafísica do saber: Deus não nos engana

No terceiro nível da dúvida, Descartes apresentara a suspeita sobre a possiblidade de um Deus enganador. Mas agora, provada a existência de Deus como ser perfeito, Descartes vai chegar à conclusão de que essa suspeita não faz sentido. Deus é omnipotente e perfeito e enganar é sinónimo de fraqueza.

O facto de Deus não enganar e de ser a fonte de todo o saber

O papel da veracidade Divina é duplo:

  • É a garantia das evidencias actuais, isto é, das que estão actualmente na minha consciência.
  • É a garantia das minhas evidencias passadas, isto é não actualmente presentes na minha consciência.  

A recuperação da existência das realidades físicas

  • A convicção da existência do mundo não e um conhecimento, mas uma espécie de crença, um sentimento. Mas bastante presente e intenso, no qual podemos confiar.
  • Há uma ligação entre corpo e alma muito próxima, e portanto temos noção da existência do nosso corpo e isto serve de evidencia á existência da realidade.
  • Sei que existo fisicamente e experimento interacções com outros corpos, mesmo não sendo o autor ou a causa destes outros corpos, mas eles causam sensações em mim, e se Deus não engana tenho de concluir que as coisas corpóreas existem.
  • Na veracidade divina o mundo não é um sonho.

Realismo na Europa

•03/07/2010 • Deixe um Comentário

Realismo Filosófico

Realismo:

  • Realismo crítico;
  • Ingénuo.

Realismo nas Artes

Movimento artístico surgiu em meados do século XIX.

Caracteriza-se pela:

  • Pela intenção de uma abordagem objectiva da realidade, pelo interesse por temas sociais;
  • Realismo e naturalismo podem confundir-se.

Realismo nas Artes Plásticas

  • Édouard Manet;
  • Gustave Courbet;
  • Honoré Daumier;
  • Jean-Baptiste Camille Corot;
  • Jean-François Millet;
  • Théodore Rousseau.

Realismo na Literatura

  • Retrata o homem e a sociedade;
  • Tem um forte poder de crítica;
  • Aponta falhas como modo de estimular uma mudança.

Realismo

  • Distanciamento do narrador;
  • Valoriza o que se é;
  • Crítica directa;
  • Objectividade;
  • Textos, às vezes, sem censura;
  • Imagens sem fantasias, reais;
  • Aversão ao Amor platónico;
  • Mistura de épico e lírico nos textos;
  • Cosmopolita.

Realismo no Teatro

  • Trata de problemas do dia-a-dia;
  • São feitas criticas à sociedade;
  • O primeiro dramaturgo realista foi Alexandre Dumas.

“O Realismo é uma reacção contra o Romantismo: o Romantismo era a apoteose do sentimento; – o Realismo é a anatomia do carácter. É a crítica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos – para condenar o que houver de mau na nossa sociedade.”

Eça de Queirós

Realismo na Poesia em Portugal

•03/07/2010 • Deixe um Comentário

Quando surgiu o Realismo em Portugal?

  • Na segunda metade do século XIX-1865;

Quanto tempo demorou? Como surgiu?

  • Demorou 25 anos (1865-1890) e surgiu com a “Questão Coimbrã”;

Os principais representantes do realismo em Portugal:

  • Antero de Quental
  • Cesário Verde
  • Eça de Queirós

As principais características do Realismo:

  1. Análise e síntese da objectividade;
  2. Indiferença do "eu" subjectivo e pensante diante da Natureza;
  3. Neutralidade do coração e do espírito
  4. Análise corajosa dos aspectos baixos da vida;
  5. Relacionamento lógico entre as causas dos comportamentos;
  6. Admissão na literatura do país de temas cosmopolitas;
  7. Uso de expressão simples e tom desafectado.

Os princípios básicos da nova geração foram registados em palestras onde discutiam sobre novas ideias, literatura e cultura de Portugal.

O grupo realista ficou conhecido como geração 70:

  • A poesia é a tradução em palavras do universo desconhecido das emoções;
  • Os poemas comunicam ao leitor a própria essência da linguagem;
  • O poeta cria com a matéria-prima da imaginação.

A poesia realista portuguesa apresenta três tendências:

  • Poesia de divulgação
  • Poesia do quotidiano
  • Poesia metafísica

Sem disposição para este trabalho exaustivo, o escritor não terá sucesso.

Questão Coimbrã

•03/07/2010 • 2 comentários

O que foi a Questão Coimbrã?

A questão Coimbrã foi um dos primeiros sinais da renovação literária e Ideológica ocorrida no séc. XIX entre o novo espírito científico europeu e o velho sentimentalismo dos ultra-românticos. Foi protagonizada por António Feliciano de Castilho, primeiro visconde de Castilho e escritor romântico português do século XIX e por vários estudantes universitários de Coimbra entre os quais: Antero de Quental, Teófilo Braga e Vieira de Castro. A este conjunto de jovens intelectuais escritores que se afirmaram no século XIX, implantando em Portugal novos modelos literários e novas ideias vindas da Europa, deu-se o nome de Geração de 70. Estes Jovens pertencentes à Geração de 70 revoltaram-se contra o atraso cultural do país.. Afirmando que viviam numa sociedade marcada pela falta de avanços na cultura e alimentada por falsas esperanças dadas pelo romantismo. Baseando-se na Europa estes jovens escrevem textos e organizam reuniões a fim de mudarem a atitude nacional. Contra este tipo de atitudes estava Castilho que formou assim um grupo em que o academismo e o formalismo vazio das produções literárias correspondia à hipocrisia das relações humanas, e em que todo o realismo desaparecia. Em 1865, solicitado a apadrinhar com um posfácio o Poema da Mocidade de Pinheiro Chagas, Castilho aproveitou a ocasião para censurar um grupo de jovens de Coimbra, que acusava de exibicionismo, de obscuridade propositada e de tratarem temas que nada tinham a ver com a poesia, acusava-os de ter também falta de bom senso e de bom gosto.

Bom Senso & Bom Gosto

Antero de Quental, o príncipe da mocidade, tentava nos seus poemas, harmonizar o espírito romântico vivido na altura com o espírito cientifico necessário. Quando Castilho o acusa de tratar temas que nada tinham a ver com poesia, este defende-se lançando um livro denominado por: Bom Senso e Bom Gosto uma das obras mais significativas na introdução do realismo em Portugal, onde Quental com grande ironia e sarcásticos desacatos respondia ao veterano das letras defendendo a independência dos jovens escritores e a necessidade de eles serem os implementadores dos grandes problemas ideológicos da actualidade metendo também a ridículo a futilidade e insignificância da poesia de Castilho.No fundo os jovens universitários de 1865 reagiam contra a falsidade, produto da adaptação do liberalismo à velha estrutura tradicional do País. A revolta da mocidade coimbrã havia de dar origem a um movimento político, filosófico e literário, cuja amplitude ultrapassou talvez a do próprio Romantismo. Este grupo que se sublevou contra Castilho era o mesmo que, acrescido de personalidades com tendências paralelas, havia de tratar, em 1871, nas Conferências Democráticas do Casino, de colocar Portugal a par da actualidade europeia, ligando-o com o movimento moderno, estudando as condições de transformação política, económica e religiosa da sociedade portuguesa.